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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Arroz Tropeiro

Querido diário,

Ontem fui ao aniversário de um primo, na Terra Firme. Lá senti, pela primeira vez na minha vida, o gostoso sabor do Arroz Tropeiro. Confesso que quando me falaram sobre esse prato eu senti certo receio em experimentá-lo. Por sorte, porém, eu estava muito enganado quanto ao seu gosto. Mas do que é feita essa estranha e saborosa mistura?
É um prato seco (sem caldo) e no que eu comi continha: arroz, feijão, toucinho defumado, linguiça de porco e carne seca (eu acho que era isso), tudo misturado e a base de temperos. Surgido no século XVII, era vendido pelos tropeiros (dai o nome), comerciantes que usavam de muares ou cavalos para se deslocar do litoral brasileiro ao interior (principalmente para a região das minas).

Quando iniciou-se a mineração no Brasil, ninguém se preocupou em preparar a região para receber os novos habitantes. Não haviam cidades, logo não havia infra-estrutura, e não haviam áreas de plantio. Além disso, o ouro era tão importante que comer já não era necessário, então ninguém resolveu plantar na região. Por isso a fome se tornou um problema real e enfrentado por todos.
Mais tarde, vários comerciantes do litoral e da região sul passaram a enfrentar longas jornadas de casa até as minas para vender seus produtos, como vestimentas, escravos, animais e alimentos. Esse viajante, como não dispunha de muito alimento para si, cozia facilmente a mistura de arroz com charque. Com o tempo a mistura ganhou novos ingredientes e então passou a ser chamada de "Arroz Tropeiro" ou "Arroz Carreteiro".
Que pena que o prato não é um costume daqui, por causa disto não sei quando comerei novamente. De qualquer forma, ele está provado e aprovado, eu ainda o recomendo para quem não o conhece. O que eu comi, pelo menos, estava uma delícia!

domingo, 8 de agosto de 2010

Búfalos no Marajó

Querido diário,

Voltei, enfim. u.u
Estive na Ilha do Marajó nas duas últimas semanas de julho, mais precisamente na cidade de Salvaterra, próximo a Soure. Lá tudo é lindo, as praias, rios e lagos, as paisagens e animais, muito sol e vento, a praça a noite com os shows; uma viagem incrível. Pelo menos nos cinco primeiros anos. Quando se vai várias e várias vezes para o mesmo lugar, fazendo as mesmas coisas, aquilo tão maravilhoso se torna tão enjoativo (pelo menos para mim é assim). Bom...
Algo curioso que eu estive reparando este ano é a pouca quantidade de búfalos na cidade. Lembro-me que nos primeiros anos que fui até lá, eles, os búfalos, eram tantos e estavam espalhados por toda a parte. No meio da rua, nos quintais das casas ou nos grandes terrenos, sempre era possível vê-los e fotografá-los. Agora é tão difícil encontrar um. Lembro de ouvir alguma coisa sobre "mudanças climáticas ameaçam população de búfalos no Marajó" há algum tempo, mas não sabia que estava tão sério assim.

A Ilha do Marajó possui o maior rebanho do país de Búfalos da raça Carabao, animal símbolo da maior ilha fluviomarinha do mundo. Sendo assim, ou eles se mudaram de cidade ou as fontes estão bastante enganadas. A raça Carabao, única adaptada a regiões pantanosas, teve sua origem no norte das Filipinas, apresenta pelagem mais clara, cabeça triangular, chifres grandes e pontiagudos, voltados para cima, porte médio e capacidade para produção de carne e leite, além de serem bastante utilizados como força motriz.
Uma possível causa da redução do número destes animais talvez possa ter sido a carne, que tem 50% menos colesterol que a carne dos bovinos. Porém isto é só uma hipótese (eu já comi carne de búfalo e é gostoso. Tem gosto de... carne...). =)

segunda-feira, 17 de maio de 2010

4,4'-dihidroxi-2,2-difenilpropano, Bisfenol A ou BPA

Querido diário,

Neste domingo (16), o Fantástico apresentou uma reportagem sobre um composto utilizado na produção de policarbonato (ou plástico) chamado Bisfenol A. Foram pontuados os perigos que este composto orgânico pode trazer para a saúde humana, principalmente dos bebês e crianças pequenas.
O composto é usado em grande variedade de produtos plásticos, incluindo os do bebê, garrafas de água, equipamentos esportivos, dispositivos médicos e dentários, obturações dentárias e selantes, lentes de óculos, CDs e DVDs, e eletrodomésticos. A principal preocupação da repórter Flávia Cintra foi relacionar o BPA às mamadeiras. Segundo a repórter, pesquisas recentes mostram que os produtos, quando submetidos a certas condições, como temperatura elevada, liberam o composto que pode vir a contaminar os alimentos.

4,4'-dihidroxi-2,2-difenilpropano

Ainda na reportagem, a doutora em química da Fundação Johnson Family, Sarah Vogel, afirma que existe relação do Bisfenol A com o câncer e que quanto mais jovem, maior o grau de exposição.
Indústrias não tem permissão de fabricar produtos com BPA no Canadá, Costa Rica e Dinamarca, nos estados de Minnesota e Illinois (EUA) e na França (em caráter provisório).
O site Bisfenol-a.org (em inglês), criado para apresentar as novidades sobre o composto, como novos produtos e pesquisas, anunciou a conclusão, em 17 de fevereiro de 2010, de uma nova pesquisa sobre o tema. No estudo, ratas grávidas foram submetidas a doses diárias, e cada vez maiores, de Bisfenol-A. O resultado mostrou que "[...] proles expostos ao BPA no útero, através do leite durante a amamentação e através do consumo direto [...] não apresentaram efeitos neurológicos ou neurocomportamentais[...]". O anuncio veio de Steven G. Hentels, do Conselho Americano de Química, que disse ainda: “O estudo robusto foi conduzido por investigadores altamente qualificados na WIL Research Laboratories.”
Produtos que contenham Bisfenol A, os plásticos classificados no grupo sete, são identificados por um 7 dentro de um triângulo (em mamadeiras, presente no fundo).
Algumas dicas, apresentadas pelo Fantástico, foram a de evitar ferver ou lavar mamadeiras com água quente (basta detergente e água fria), aguardar que a água esfrie antes de adicioná-la à mamadeira quando for preparar os alimentos para o bebê e não esquentar alimentos diretamente em recipientes plásticos (usar recipientes de vidro ou de cerâmica).
Enquanto não se tem uma confirmação exata sobre o risco ou não do BPA causar doenças em humanos, o melhor é se prevenir, tomando os devidos cuidados quando for necessário manusear alguns objetos de plástico.